Cristiano Ronaldo foi embora da Copa do Mundo cuspindo no prato em que comeu – e come, e comerá. Olhou para a câmera, logo ela, sua companheira de todos os jogos, e vociferou: “Vai filmar quem ganhou!” Completou com um palavrão e a cusparada. Há alguma esperança no destempero do ícone maior do futebol mundial. Na derrota, finalmente, ele se revelou humano, talvez até demasiadamente humano. Não é só um rosto inanimado nos outdoors, nas páginas das revistas, nos telões dos estádios. Batido, mostra ser de carne e osso.
Amparado pelo dicionário, repito: Cristiano Ronaldo é presepeiro. E para não dizerem que é só implicância, quem me apontou sua mais nova bossa foi Raphael Maciel, responsável pelas análises táticas e comentarista do Seleção Sportv. Depois, ouvi Milton Leite anunciar na transmissão de Portugal x Espanha: ele se olha no telão! Confira em qualquer lance da partida. Depois de fazer a pose (aliás, ouvi outra ótima, de Casagrande: “Ele faz pose até correndo!” ), o gajo olha para cima. É que o telão dos estádios sul-africanos tem um segundinho ou outro de delay, o que permite a Narciso conferir se na água daquele lago está o homem mais bonito do mundo. Há muito aprisionado por sua própria imagem, o jogador de futebol mais famoso do planeta agora não tem só as câmeras para olhar. Pode conferir o resultado de suas caretas e piscadelas em tempo real.
O problema é quando ele faz tudo isso jogando de camisa 10 – o que, na seleção portuguesa, significa todo o resto do tempo. O único passe de Cristiano Ronaldo de que me lembro nesta Copa do Mundo foi um de letra, no meio do campo, para o lado, curto e sem nenhum efeito – exceto, claro, o das câmeras, que repetiram o lance em todos os detalhes, principalmente as caras e as bocas. Deu belos chutes, dois deles no travessão. E bateu todas as faltas de seu time, sempre direto, nem sempre na direção do gol, mesmo que a 50 metros de distância. Preparava-se para as cobranças como se estivesse posando para uma nova versão do Colosso de Rodes, com as pernas abertas e as mãos na cintura, e – alertado, fui conferir – dava aquela olhadinha para o telão antes de cada cobrança.
Para Cristiano Ronaldo, o futebol é um exercício de individualidade. Nesta Copa do Mundo, ele empregou seu grande talento com a bola para tentar levá-la sempre na direção do gol – só que sozinho. Com esse estilo, poderia até ter se tornado o artilheiro da primeira fase e levado Portugal às quartas-de-final. Mas só conseguiu derrubar uma defesa, a da Coreia do Norte – que nem de longe se fecha como o país de origem. O fenômeno português é jovem, talentoso e agora vai jogar sob o comando de seu compatriota José Mourinho. Pode ainda ter grandes anos no futebol mundial – no qual, não se pode negar, já conquistou bastante para um jogador da sua idade. Não vai deixar de ser um grande ídolo mundial pelo que fez ou deixou de fazer na África do Sul.
Cristiano Ronaldo tem uma vaidade e um estilo de dar inveja , e muitas vezes duvidoso.
Adorei o texto..ele é muito humano..
ResponderExcluira vaidade pode ser um defeito,às vezes,ele pode ser criticado pelas poses que faz no campo, ou até mesmo fora deles é alvo de algumas polêmicas..penso que ele tem todo o direito de agir como bem entender..afinal, ele é o galático Cristiano Ronaldo,joga muito e já é jogador histórico :)
sim sim *-*'
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